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Geomorfologia e Geografia

Valadares situa-se no Concelho de Vila Nova de Gaia e pertence ao Distrito do Porto.

Esta Vila de Valadares tem de área 493 ha e 7500 m. Dista da Junta de Freguesia à sede do concelho de V. N. Gaia 6 Km. e da Junta de Freguesia à cidade do Porto, a distância é de 12 Km.

A Vila de Valadares é delimitada de forma aproximada pelos paralelos 41º 5' e 41º 6' 32" Norte e pelos meridianos 80º 37' Oeste de Greenwich. Confina a Norte com a freguesia de Madalena, a Este com a freguesia de Vilar do Paraíso, a Sul com a freguesia de Gulpilhares e a Oeste com o mar.

Valadares tem uma população residente que, segundo os censos de 1991, é de 8.478 habitantes e densidade populacional de 1741 habitantes. Segundo a Junta de Freguesia, em 1995, a sua população é de aproximadamente 10.000 habitantes (recenseados em 1994 estão 8700 habitantes).

De acordo com os censos 91 Valadares divide-se nos seguintes lugares: Aldeia, Barroco, Campolinho, Castro, Chamorra, Estação, Pedreiras, Penedo, Praia, Sameiros, Tartumil, Valadarinhos e Vila-Chã.

O clima de Valadares está inserido no Clima Temperado Marítimo ou Oceânico cujos ventos, vindos de Oeste, são húmidos e frios.

O relevo de Valadares é caracterizado por uma costa baixa que se eleva na direcção Oeste – Este (O-E) formando um pequeno planalto. Podemos destacar, no entanto, a zona do Crasto que fica na direcção noroeste, tendo esta elevação servido de defesa às terras de Vila Chã.

No limite das terras de Vila Chã são referidas algumas elevações denominadas: Pedra Furada, Mamoa de Bezerros, Monte Toural e Outeyro da Guyom da Fonte dOurigo.

A vegetação natural existe principalmente junto à praia e é composta por Pinheiros Bravos. Existiu também, onde hoje é o lugar do Penedo, um Carvalhal.
Segundo os interrogatórios respondidas pelo cura Manuel da Costa em 1778 por esta freguesia, corre um rio ou regato que não tem nome certo. Os moradores dão-lhe o nome das terras por onde ele passa (rio do Paço, rio de Valadarinhos, rio de Vila Chã). Nasce na freguesia de Canelas, com pouca quantidade de água, mas no Inverno corre com bastante leito e, no Verão, algumas vezes está quase seco. É utilizado na rega dos campos para cultivo. Desaguam nele as vertentes dos campos e terras das freguesias de Canelas e Vilar do Paraíso e o seu curso é todo ele quieto. Corre de nascente para poente (E-0). Só tem uma espécie de peixes (escalos) em pouca quantidade que são pescados pela população durante o ano todo. As margens são cultivadas e têm muitos vimes. Existem, também ligadas ao rio, treze rodas de moínho e quatro rodas de azenha que só pratica-mente moem no Inverno.

A população usava livremente as suas águas para cultura dos campos, excepto no lugar de Vila Chã onde esta era paga. Tem uma lagoa pequena no lugar da Marinha.

Com o desenvolvimento de Valadares as águas poluídas deixaram de fornecer aos seus habitantes os poucos peixes que tinham. Continuam a ser usadas, no entanto, para rega. Paralelamente os moínhos foram-se extinguindo havendo ainda algumas ruínas e nomes de lugares ligados a eles (exemplo: Moleiro, no lugar de Marinha; Rua da Azenha, no lugar de Vila Chã ).

O quadro geomorfológico da região de Valadares caracteriza-se pela existência de um relevo marginal cuja altitude máxima não ultrapassa os 250 m, e que se desenvolve perpendicularmente ao vale do rio Douro a cerca de 1 km da actual linha da costa. A ele sucede-se, para Oeste, a plataforma litoral sobre a qual assentam depósitos de antigas praias que se estendem escalonados até ao sopé do referido relevo. Constituem, deste modo, testemunhos da oscilação do mar e da crusta terrestre ao longo do Plioplistocénico (fase de uma era geológica). Sobre eles ou, em contacto directo com um substracto rochoso, existem frequentemente várias formações de cobertura dunares e coluvionares, tendo-se estas últimas mostrado recentemente bastante ricas do ponto de vista arqueológico.

Perpendicularmente a estes terrenos de origem sedimentar, surgem pequenos vales onde correm ribeiros no sentido E – W. Em alguns deles é possível verificar a existência de depósitos aluvionares actuais, geralmente aproveitados para trabalhos agrícolas, bem como de formação de génese similar, mas mais antigos, posicionados a cotas relativamente superiores.

No que respeita à sua constituição geológica nota-se a existência de um afloramento de Precâmbrico polimetamórfico predominando um granito porfiróide, rocha constituinte do maciço antigo. Para além deste, podemos encontrar junto à praia um outro granito de grão médio, tendo no seu interior uma formação que se convencionou chamar de arena-pelítica de cobertura que poderá ser de origem continental ou de origem eólica. Ainda se visualizam alguns depósitos de praias antigas com diferentes altitudes.

Os depósitos de 5-8 m que se podem observar entre as praias de Gulpilhares e Valadares, apresentam uma cor castanha que corresponde a uma ferruginização bastante intensa, que os transforma por vezes, em verdadeiros conglomerados e que, em certos locais, chegam a atingir o nível das marés baixas.

Pensa-se que na era Cenozóica o oceano cobria toda esta área. No Quaternário houve oscilações, ficando o mar com o nível da actualidade e por outro uma deposição de materiais.

Fazendo uma análise geral do esboço geológico de Valadares, podemos concluir que encontramos dois tipos de rochas: as magmáticas (granitos) e as sedimentares (areias e conglomerados).

No concelho de Vila Nova de Gaia, os depósitos marinhos mais elevados situam-se, actualmente pelo 100-110 m e 120--130 m. Considerados Pré-Sicilianos surgem com frequência, apresentando geralmente uma grande espessura, como é possível observar em Canelas.

O nível de praia imediatamente inferior (80-90m) encontra-se essencialmente no norte do concelho, na área de Canidelo e Afurada e ainda na freguesia de Serzedo.

Paralelamente à linha da costa actual, surgem-nos pequenos retalhos do nível de 60-70 m de altitude, enquanto que o de 30-40 m se estende quase numa mancha contínua, desde Lavadores até ao limite sul do Concelho.
Entre a praia da Madalena e a da Granja, surgem-nos alguns depósitos a 15-30 m, enquanto que os de 5-8 m só é possível observá-los numa área muito localizada entre as praias de Valadares e Gulpilhares.

Relativamente aos materiais constituintes dos depósitos de praia da plataforma litoral, a inexistência de estudos sobre as suas características sedimentológicas não permite uma abordagem tão profunda quanto seria desejável.

Todavia pode referir-se que na generalidade se verifica um predomínio de calhaus de quartzo e quartzite, relativamente bem rolados, apresentando dimensões várias nos diferentes níveis de praias e por vezes no mesmo depósito, encontrando-se envolvidos num material arenoso mal calibrado e ainda uma matriz argilosa.

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